06/12/2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 1

Nesta postagem quero dividir com você que chegou agora alguns conceitos e aspectos dos Estudos das Relações Étnico Raciais no Brasil. Esta disciplina cursei no primeiro período da faculdade de História e, embora aborde um contexto quase que 100% histórico, também é lecionada nas faculdades de Pedagogia, Letras, Serviço Social, etc.

Mesmo sabendo que no Brasil há uma grande miscigenação graças a imigrantes de outros países, o foco desta matéria é encima da cultura afro-brasileira, eis que os negros africanos foram o grupo social mais negligenciado em nossa historiografia. Como a História do Brasil foi escrita utilizando a colonização européia como parâmetro e o negro africano foi escravizado durante muito tempo, nada mais justo que o Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil focar-se na valorização desta cultura.

O Brasil foi o último país latino-americano que aboliu a escravidão: o cativeiro durou por mais de três séculos deixando marcas sociais muito fortes, podemos percebê-las até hoje. Isto inibiu discussões sociais por muito tempo além de ter criado "hierarquia" nos nossos modos de viver. A violência tornou-se intensa e o trabalho manual era quase que 100% exclusivamente destinado ao negro.

Resumo sobre Escravidão negra no Brasil
Negros africanos escravizados ao chegar no Brasil
Quando chegava ao Brasil, o negro africano era escravizado e perdia parte de sua cultura. Embora isto não pareça grave pode-se observar o quanto influenciou para a manutenção de privilégios do povo branco. A cultura de um povo é tão importante mas tão importante que quando este é dominado, umas das primeiras coisas que ocorrem é a destruição de seus símbolos e monumentos. Isto o faz enfraquecer como unidade tornando-se mais vulneráveis. Desse modo, "demonizar" e escarnecer tudo que era relativo a cultura africana era um dos principais objetivos de nossos colonizadores. Ao negro africano era negado o conhecimento sobre seus antepassados, sua cultura, seus deuses, etc. O afastamento de seus conhecidos ao chegar em nossas terras contribuiu muito pra isso também.

As vezes ocorriam atos de rebeldia como suicídios coletivos, rebeliões, fugas, etc. O banzo era o sentimento de tristeza e depressão que assolava a maioria dos negros escravizados, com saudades de sua vida na África, levando-os a loucura, estresse, vontade de morrer. De certa forma isto contribuiu para a imagem de uma sociedade paternal pois os senhores tratavam os escravizados de maneira proprietária.

Pela ausência de leis específicas segregadoras, como o Aphartheid na África do Sul por exemplo, o Brasil vive até hoje um racismo velado. As pessoas escondem o preconceito atrás de "brincadeiras" e se ofendem quando o negro não as aceita. O silêncio sobre o racismo não quer dizer que ele não exista.

A escravidão do negro africano também contribuiu para o crescimento do Capitalismo pois este fortalece-se através da dicotomia social. Aos escravizados era negado o direito e relativizavam muito leis que pudessem beneficia-los de alguma maneira, sendo assim, a marginalização desse povo institui-se de um jeito muito forte em nossas terras.

O final da escravidão era paralelo ao fim da Monarquia. Mesmo assim houve resistência de senhores brancos que não queriam perder seus privilégios, desse modo surgiram "intelectuais" dispostos a provar por meio de estudos que o negro era inferior ao branco. Conhecemos também isto como "Racismo Científico". Posteriormente estas teorias foram todas refutadas mostrando seu descabimento, mas ainda hoje existem pessoas que acreditam nestas besteiras.

Disto também resultou a política de "embranquecimento populacional", quando a coroa portuguesa incentivou imigrantes de outros países a se alojarem no Brasil, desde que fossem brancos. Casamentos inter-raciais eram permitidos e também incentivados, desde que objetivassem um embranquecimento da população.

O fim da escravidão no Brasil nunca pode ser visto com um olhar revolucionário eis que não foram criadas medidas pra inserir o negro no mercado de trabalho formal nem políticas de empoderamento (esta estão sendo criadas agora, olha quanto tempo depois). Assim se deu os primeiros momentos do negro africano no Brasil, infelizmente, carregados de abusos, dor e sofrimento.



Espero que tenham gostado deste primeiro texto, vou fazer mais continuações e posto aqui sempre atualizando. Nesse primeiro momento é importante abordar como se deu a escravidão para depois adentrarmos em mais detalhes. Também quero deixar registrado que o estudo da cultura africana (não a afro-brasileira) também será compartilhado pois nunca é tarde pra recuperarmos a auto estima desse povo que praticamente construiu nosso país.

Beijos, Thainá.

Thainá Santos

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